Segundo volume da coleção "Fonte Viva" - Interpretação dos Textos Evangélicos.
Ditada pelo espírito Emmanuel.
Psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
Publicado em 1950 pela Editora FEB - Federação Espírita Brasileira.
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Leitura do livro
Pão Nosso
Capítulo 101
Resiste à Tentação
“Bem-aventurado
o homem que sofre a tentação.”
(Tiago, 1:12)
Enquanto nosso barco espiritual navega nas águas da
inferioridade, não podemos aguardar isenção de ásperos conflitos interiores.
Mormente na esfera carnal, toda vez que empreendemos a melhoria
da alma, utilizando os trabalhos e obstáculos do mundo, devemos esperar a multiplicação
das dificuldades que se nos deparam, em pleno caminho do conhecimento
iluminativo.
Contra o nosso anseio de claridade, temos milênios de sombra.
Antepondosenos à mais humilde aspiração de crescer no bem,
vigoram os séculos em que nos comprazíamos no mal.
É por isto que, de permeio com as bênçãos do Alto, sobram na
senda dos discípulos as tentações de todos os matizes.
Por vezes, o aprendiz acreditase preparado a vencer os dragões
da animalidade que lhe rondam as portas; todavia, quando menos espera, eis que
as sugestões degradantes o espreitam de novo, compelindo-o a porfiada batalha.
Claro, portanto, que nem mesmo a sepultura nos exonera dos
atritos com as trevas, cujas raízes se nos alastram na própria organização
espiritual. Só a morte da imperfeição em nós livrar-nos-á delas.
Haja, pois, tolerância construtiva em derredor da caminhada
humana, porque as insinuações malignas nos cercarão em toda parte, enquanto nos
demoramos na realização parcial do bem.
Somente alcançaremos libertação, quando atingirmos plena luz.
Entendendo a transcendência do assunto, o apóstolo proclama bem aventurado aquele “que sofre a tentação”. Impossível, por agora, qualquer referência ao triunfo absoluto, porque vivemos ainda muito distantes da condição angélica; entretanto, bem-aventurados seremos se bem sofremos esse gênero de lutas, controlando os impulsos do sentimento menos aprimorado e aperfeiçoando-o, pouco a pouco, à custa do esforço próprio, a fim de que não nos entreguemos inermes às sugestões inferiores que procuram converter-nos em vivos instrumentos do mal.

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